sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

AGENDANDO A VIDA



É uma noite normal e monótona como sempre, no quarto apago mais um cigarro e acendo outro no mesmo instante, completo o copo de vodka e coloco mais umas pedras de gelo, coloco um pouco de água no cinzeiro para apagar uma bitucas de fumo e volto a escrever.
O cigarro chega ao fim novamente, o solto no cinzeiro que já está esborrando um líquido amarelado, vejo o filtro afundar e sinto minha vida indo junto, olho pra garrafa de vodka novamente que agora está pela metade e percebo que ali também se foi uma parte da minha vida.
Olho pra agenda que estou escrevendo e sinto que as letras querem me falar algo, mas estou bêbado demais para conseguir perceber o que é. Paro um pouco, coço os olhos e olho novamente para agenda, dessa vez as letras pulam e gritam me falando algo que eu não conseguia decifrar, por um pequeno momento me senti louco, completei novamente o copo e bebi mais, dessa vez não senti vontade de fumar, sentia meu pulmão queimando, minha garganta arranhando, mas o pior era a agenda, ela não me deixava em paz, sempre com os mesmos murmúrios.
Parei no tempo, fechei os olhos por alguns segundos e tornei a abrir, dessa vez conseguia entender o que as letras queriam me falar, elas me falavam que cada cigarro afundado no cinzeiro, eram cinco minutos de minha vida que ia junto, mas lá já tinham dezessete cigarros, mostravam também os dois litros de vodka vagabunda e barata que eu bebera, uma noite, quase um dia de vida perdido.
E como em súbito eu acordei na cama de um hospital sujo e moribundo, sem documentos, sem nada que me identificasse apenas uma agenda na mão que estava colada ao peito, continuava sem entender aquilo tudo, até que uma enfermeira entra no quarto e fica surpresa ao me ver acordado, um pouco debilitado, mas acordado. Então pergunto a ela o que me ocorrera e a mesma me explica que um homem que não se identificou me levara até o hospital porque me viu caído numa calçada (a da minha casa), só com uma caneta e uma agenda na mão, resultado de tudo, coma alcoólico e parada respiratória (quase morro) e percebo que o que pensara no tempo em que estava em coma era um filme rebobinado do que acontecera comigo e que surpreendentemente o que me fizera lembrar tudo isso e até mesmo acordar foi aquela pequena agenda, que até hoje não sei como, mas tinha tudo escrito nela, desde a primeira dose de vodka a cama do hospital.




Autor: Igor Monteiro.

2 comentários:

icaro disse...

copiasse isso de onde peste??
=D

Igor Euclides. disse...

rsrs, não copiei de nenhum lugar, feito por mim, abraços.

 
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